Saúde Bucal e o Estresse Oxidativo

Você sabia que o tártaro e as doenças periodontais podem causar danos ao organismo para além da saúde dos dentes?

A doença periodontal é a afecção mais comum em cães e gatos, acometendo os tecidos de sustentação do dente, que incluem a gengiva, o osso alveolar, o cemento e o ligamento periodontal. A raça, idade, dieta, a mastigação e a saúde do animal de forma geral são fatores importantes no quesito predisposição. Contudo, o principal causador dessa doença é o acúmulo de placa bacteriana na superfície dos dentes. 

A infecção na cavidade oral, além do mau hálito, pode causar diversos graus de inflamação e de infecção, levando a dor, perda de dentes e até fraturas em mandíbula e maxilar. Além dos problemas locais, a doença periodontal pode trazer distúrbios sistêmicos, quando as bactérias atingem a corrente sanguínea do animal e assim levadas a mais regiões do corpo, comprometendo órgãos vitais, como coração, fígado e rins e até articulações. 

E a relação da placa bacteriana e o tártaro com o estresse oxidativo?

A periodontite pode ser observada com uma resposta inflamatória no hospedeiro, que resulta na destruição do tecido. As inflamações e lesões teciduais são causadas por meio de proteases de Interleucina 6 (IL-6), que é produzida em resposta a condições como infecções e traumas. As interleucinas são responsáveis pelo início das respostas inflamatórias e imunológicas. Várias células como macrófagos, neutrófilos, fibroblastos e células endoteliais têm função na produção de IL-6. Outro forte indicador de inflamação é a Proteína C Reativa (PCR), e sua produção ocorre em resposta a lesão e a infecção presente no tecido durante a periodontite.

A presença de bactérias patogênicas também estimula respostas inflamatórias e imunológicas, como a ativação de neutrófilos nucleares polimórficos e macrófagos, que agem contra os microorganismos patogênicos presentes na doença periodontal.

Um aumento na contagem de neutrófilos é notado desde o início da afecção. Esses neutrófilos produzem grande quantidade de superóxido, principalmente quando ocorrem infecções bacterianas. Isto acarreta a um aumento na produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), cujo objetivo é matar as bactérias ali presentes. Existe um equilíbrio entre os níveis de ROS e antioxidantes em condições normais, e devido a afecção, esse equilíbrio é perdido, já que o sistema antioxidante não consegue neutralizar o alto nível de produção de ROS, resultando no estresse oxidativo, onde os níveis estão desequilibrados.

A peroxidação lipídica destrói a integridade estrutural da membrana celular e altera sua função, sendo assim, uma das reações mais importantes dos radicais livres. O malondialdeído (MDA) é o produto final da peroxidação lipídica e causa destruição do tecido por meio da formação de estresse oxidativo.  O MDA é outro marcador do estresse oxidativo. 

O estresse oxidativo, quando crônico, está relacionado ao aparecimento de doenças crônico-degenerativas como doenças articulares e até mesmo câncer.

A doença periodontal tem sido tema de diversos estudos devido a sua grande prevalência em cães e gatos, principalmente em idade avançada. É muito importante o conhecimento da anatomia, etiologia e os mecanismos pelos quais a doença se desenvolve, por ser a base para o diagnóstico preciso, assim como para o tratamento e profilaxia. A manutenção e os cuidados com a saúde bucal dos animais ainda é um dos principais fatores para a prevenção de doenças. E importante nos atentarmos que a saúde bucal interfere na saúde do organismo como um todo e na qualidade de vida.

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